CORPO PRESENTE

"O fotolivro apresenta imagens de protestos, mas esta não é uma frase que resolve o livro. O que vemos são registros de atos políticos. Não apenas aqueles convencionais, com cartazes nas ruas, mas também de festas e outros eventos. Em comum, todos propõem um embate físico com forças repressoras das mais diversas instâncias.
 

Embora a maioria das imagens seja dos corpos vulneráveis dos insurgentes, são as fotos dos policiais que mais saltam à vista. A primeira imagem do livro mostra um policial não identificado segurando uma escopeta. Na sequência, um deles porta uma câmera de vídeo e aponta para os manifestantes. Quase no fim, um policial com caneleiras segura um enorme escudo retangular enquanto avança na direção do fotógrafo.
 

As últimas páginas trazem fotografias do edifício Wilton Paes de Almeida, que desabou no Largo do Paissandu em 2018.  O livro, impresso em risografia, está dividido em cinco capítulos que, embora não pareçam indicar qualquer ordem cronológica, contam uma parte importante da história de uma São Paulo às vésperas de uma nova década, habitada por corpos que resistem mesmo quando as ruínas do Estado desabam sobre cabeças e calçadas."

Revista ZUM, Instituto Moreira Salles
 

000396390024.jpg
000398200024.jpg
D_000332490031.jpg
ADC_000353680024.jpg
DC_000327410023.jpg
DC_000353680002.jpg
B_000337340001.jpg
000397640009.jpg
000396390026.jpg
B_000336150021.jpg
B_000361680011.jpg
C_000741350010.jpg
AC_000372920026.jpg
000402210018.jpg
000396390023.jpg
C_000361720005.jpg
C_000741350028.jpg
C_000741550025.jpg

"Não quero regra nem nada
Tudo tá como o diabo gosta, tá
Já tenho este peso, que me fere as costas
e não vou, eu mesmo, atar minha mão

 

O que transforma o velho no novo
bendito fruto do povo será
E a única forma que pode ser norma
é nenhuma regra ter
é nunca fazer nada que o mestre mandar
Sempre desobedecer
Nunca reverenciar"

Belchior, 1976

  • Black Instagram Icon